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 AzulSemNome
 Uma história de palavras
 Lendo, escrevendo e vivendo na rede


 
E todas as orquestras acenderam a lua


Descobri que eu tinha este "novo" blog, do qual havia me esquecido.



Escrito por lilia às 13h35
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tempo

Tudo está jogado no tempo. Com essa frase o autor inicia a introdução de sua tese sobre Fernando Pessoa.

Sobre a metafísica em Fernando Pessoa. O tempo é a mais visível das questões metafísicas, pelo menos quando se olha para sua ação em uma posição de trás pra frente.

Ontem, foi o pensamento que me absorveu no aniversário em que fui, quando observei as pessoas reunidas ali, alegres, despreocupadas. Jogadas no tempo. Mas não acontecia comigo igual ao personagem do temps retrouvé... eu, ali, perdi mais um pouco do tempo.

 



Escrito por lilia às 12h35
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audades

 

S

1  sentimento mais ou menos melancólico de incompletude, ligado pela memória a situações de privação da presença de alguém ou de algo, ou à ausência de certas experiências e determinados prazeres já vividos e considerados pela pessoa em causa como um bem desejável (freq. us. tb. no pl.); 2  erva de até 60 cm (Scabiosa atropurpurea) da fam. das dipsacáceas, com flores vistosas, roxas, rosas ou brancas, nativa da Europa e muito cultivada como ornamental; escabiosa, flor-de-viúva, saudades-roxas, suspiro-dos-jardins.

 A casa retomou pouco a pouco a antiga rotina. O tempo passou, e ela ainda habita os cômodos com seus cuidados, seus livros, seus bordados, suas receitas. O tempo guarda a força de seus olhos, expressivos, azuis mesmo quando já estavam tomados pelo medo da noite. Antes de escurecer seu olhar previa o escuro, o tormento da insônia. Desvairava as madrugadas em sonhos brancos, em palavras recortadas de ave-maria agora e na hora de nossa morte, amém. Alternava lucidez e inconsciência. Ora, em delírio asfixiado, visões de máquinas e homens no telhado vizinho, através da casuarina, pela janela defronte de sua cama. Ora, com olhares próximos, reconhecia o quarto, derramando comoção de antigo amor, quando ele chegava perto. Ainda pedaços de azuis nos sonhos dele são seus olhos. Olhos que se fecharam sozinhos após o último suspiro, e o rosto rejuvenesceu muitos anos, na nova paz do semblante, do sono sem sonho, nem pavor. Nem trevas. Não mais o medo de não dormir nem o pavor da noite. Quem chegasse perto poderia ouvir o acalanto das flores que a cobriram na última cama.

No jardim, as plantas ainda esperam a água que ela trazia nos dias sem chuva [sentia os pulmões sem ar, mas não deixava sua grama secar]. De quantas cores as saudades desabrocham? A casa voltou à rotina. Os passarinhos, da casuarina ao parapeito da janela, são o olhar dela, o seu cuidado invertido, quando recebem a fruta que ele ainda oferece todas as manhãs. No jardim florescem as lágrimas. Nos canteiros suspiram as saudades roxas. E agora, quando o sol se veste de outono, se os passantes prestassem atenção, ouviriam, entre seus risos e vozes - o suspiro-dos-jardins.



Escrito por lilia às 22h19
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À flor da palavra - AMARANTE

 

     http://www.1jardin2plantes.info/photos/amarante

 
árvore alta (Copaifera bracteata), da fam. das leguminosas, subfam. cesalpinioídea, nativa do Brasil (AMAZ) e das Guianas, de flores apétalas, com quatro sépalas e dez estames, vagem contendo uma semente [A madeira é compacta e avermelhada, e dela extrai-se óleo resinoso com propriedades medicinais.] 2  m.q. pau-roxo (Peltogyne lecointei) 3  m.q. guarabu (Peltogyne discolor)


A

marante
 

 Chamo-me dolor, assim, na pronúncia espanhola do sofrer, dor de cabelos que teimam contra o vento e olhos longos... Em dois patamares de vida, num livro de duas histórias, ao me narrar, um escritor gêmeo de romances, rabiscou com pesar: soledade, era seu nome... dolores de sonhos vãos, cismares perdidos que a levavam para uma ficção de vida a criar constantemente os dias reais, deixaram seus olhos atados com fitas lilases a outros céus, igualzinha à imagem de São Fransisco de Assis ligada às chagas de Cristo crucificado com fitilhos vermelhos de sangue partilhado. Chamo-me amarante, o amor deixou-me amargas as mãos de acarinhar. Amarando olhos de saudade, violeta mar de sempre ir e amar de nunca ser. Amante sem ter, gerúndio sem particípio, amarei sem pressa as palavras dos meus dias, ante a aurora do fim de dedos de sol se indo. E depois que ele se for, serei consuelo de negros olhos de noite e espera, até que, enfim, a luz vazante de outra história sorva desses olhos o sonhar que resta.



Escrito por lilia às 14h07
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À flor da palavra

  http://www.agrov.com/img/vegetais/graos/gergelim1.jpg

 

A

 

legrias

 

Rubrica: angiospermas. m.q. gergelim (Sesamum orientale, 'semente'). design. comum a plantas nativas do México, do gên. Amaranthus, da fam. das amarantáceas, algumas cultivadas como ornamentais e, outrora, pelas folhas consumidas como verdura e pelas sementes usadas como cereal. Houaiss.

 

 

O início foi quando descobriu as minúsculas sementes. Veio a promessa do sabor do pão amassado nos dedos gentis de cultivar plantas delicadas. Essas brotaram ao acaso, no caminho da porta. Quantas alegrias poderia cultivar ali, ao lado da casa, no pequeno jardim de muros de pedras e musgo, úmidos como seus olhos? Ali o sol entrava ao pino do meio-dia. Ao notá-las, tomou gosto. Limpou o local, amaciou a terra, fez-se canteiro à espera que a tristeza enfim murchasse. Consumia-se à lembrança de uns olhos cor-de-vida, amarantes, pousados nas suas flores, mas lavrava os dedos de terra. Mais o canteiro verdecia, menos efêmero era o sorriso das manhãs. Um dia, afagava as cores que brotavam quando o portão rangeu familiarmente. E mais vezes enfim seus olhos mortos encontraram os olhares d’ele, insistentes, famintos de sentimento. Convidou-o a partilhar do sol, do pólen dourado do riso. Havia a fome. Trouxe para a mesa uma farta cesta... Ambos fartaram-se de alegrias.



Escrito por lilia às 18h02
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À flor da palavra



Escrito por lilia às 18h00
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O que dizer de certeza se o peito permanece turvo aos ecos do susto. O assombro descortinou meus olhos desde o momento em que as sentenças desfiguraram o sonho. O que não existe poderá esvanecer desejos?

Escrito por eu às 14h36
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A especialidade maior de minha vida é esperar. E, como tal, sou perita também em desesperar. E tanto deixo o tempo comandar meus momentos que se esvazia o espaço derrisório da manhã. Redemoinhou feito água escoando no ralo levando olhares e intenções para nunca mais.

Escrito por eu às 10h15
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metablog

 

Blog é a palavra do ano ! (é o que afirma a pesquisa anual da editora de dicionários online Merriam-Webster Inc. sobre os termos mais buscados em seu web site, em 2004).

E é sobre blog que pretendo escrever, em uma espécie de metablog, o blog sobre blogs... Escrever aqui sobre a pesquisa que começa agora, em 2005, para observar as palavras da rede em suas varandas e punhos... em suas tranças e rendas, desenhos e abreviaturas... escrever e decifrar o we b log - o diário sem a Gestapo.

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Escrito por outrademim às 21h44
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Palavras soltas

 

Perdidas as histórias nas palavras soltas  

 



Escrito por outrademim às 22h45
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Caravela de cristal

 

Estava partida em pedacinhos, aquela caravela transparente, toda de filigrana de fios de vidro finíssimos, enlaçados, formando a quilha, as velas, os mastros, o cordame. Foi em uma noite de amor fendido, caso acabado e volta não consentida, que a moça invadira a casa dele e, sem que as outras pessoas que ali moravam suspeitassem, surpreendera-o na sala de música e na ferocidade da perda, com um gesto brutal de ódio e paixão ferida, arremessou as miniaturas de instrumentos, bibelôs de compositores, medalhas, barcos pequeníssimos, objetos delicados que juntara durante anos e anos. Os cacos voaram pela sala, a música silenciou. Ele também foi empurrado e teve a camisa rasgada, óculos despedaçados, um caos.



Escrito por outrademim às 22h45
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Se eu tivesse escrito todos os meus gestos, minhas surpresas, minhas mortes, as lembranças seriam diferentes. Hoje chega uma libertação feita de palavras, da ausência delas, do silêncio que invadiu meus dedos na assustadora busca do toque interno. No desfolhar da última certeza de não ser feliz. Que só as crianças podem ser totalmente felizes.

Então, de palavras volto a construir a vida, para contar aquilo que não cabe no coração, que transborda, que escorre e segue, gapuiando estrelas.



Escrito por outrademim às 23h10
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